Aviso!

ATUALIZAÇÃO em: 03/03/21

Vamos passar por uma reformulada no Layout em breve e aí, todas as postagens que estão com probleminhas de chá de sumiço de imagens e partes do texto, vão finalmente ressurgir das cinzas como uma fênix. Também estamos vendo nossas artes, principalmente as logos usadas por nós, em produtos comerciáveis e gostaria de pedir que não roubem as imagens do site, pois todas foram compradas para serem únicas e exclusivas. O logo, a edição das capas, tudo. Se virmos espalhadas por aí, vamos processar, porque temos direito de imagem sobre elas, agora, tá? Beijos de luz!

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

KDRAMA | Squid Game (Round 6)

Olá, companheiros(as) de "só mais um episódio e eu durmo", preparados para uma resenha cheia de "gostinho de quero mais"? Não sei se vou conseguir deixá-la a contento de todos, até porque o kdrama escolhido é um tanto problemático, mas vou tentar mesmo assim. Afinal, adoro desafios! Trata-se de ROUND 6, Squid Game (para quem gosta de um nome original) - ou ainda "uma mistura de Jogos Mortais com Jogos Vorazes" para os mais íntimos.

Este kdrama eu assisti com o meu namorado. Aliás, eu preciso dizer que ele está virando um senhor dorameiro, com direito a pipoca, "só mais um episódio" e momento "indicação do dia" para os meus mais novos familiares. - Uma graça, diga-se de passagem. Um verdadeiro sonho para qualquer dorameira e, portanto, tirem os olhos! - Mas, também, pudera! Só apresentei os melhores para ele. Na lista já constam "Vagabond", "The Heirs", "The K2", "It's Okay, to not be okay" e, enfim, "Round 6" (Squid Game). - E sim, dei essa volta toda para dizer que pedi ajuda dele para escrever esta resenha, então mãos à obra.




Episódios: 9
Gênero: Terror | Suspense | Policial
Ano: 2021
Classificação Indicativa: 16 anos
Onde assistir: Netflix
  • Sinopse: Um convite um tanto misterioso chega para pessoas que estão precisando desesperadamente de dinheiro. O objetivo? Convocá-las para um jogo ainda mais misterioso! Os 456 participantes se vêem confinados em um lugar secreto para competir uns com os outros em busca do prêmio de 45,6 bilhões de wons. Cada disputa é um jogo infantil tradicional na Coreia e os perdedores pagam o preço do fracasso com a própria vida. Agora, resta saber: quem será o grande vencedor da competição? E quem está por trás desse jogo?


Round 6 é um kdrama sanguinário, exclusivo da Netflix e, ao que parece, tem tudo para uma segunda temporada - pasmem! - em 2022. Pasmem, porque todo bom dorameiro(a) sabe que isso acontece raríssimas vezes, embora não seja o primeiro a ganhar uma sequência. É que, quando acontece, é digno de fogos de artifício, balões coloridos de gás hélio e um letreiro luminoso. Uma pena que, até o momento, nada se fala a respeito da continuação de Vagabond, mas sigamos porque isso não vem ao caso.

Fato é que, pela primeira vez, um kdrama alcançou o TOP 1 da Netflix nos Estados Unidos e ganhou 100% de aprovação da crítica no site Rotten Tomatoes. Não que isso, para mim, signifique alguma coisa, - porque para ter dado uma pontuação maior ao novo Esquadrão Suicida e uma nota menor ao Zack Snyder's Justice League, mesmo este sendo inúmeras vezes melhor que o editado e cagado pelo Joss Whedon - mas já que para muitas pessoas isso tem enorme relevância, então cá está dada a informação.

Vamos ao que interessa! Pensei em inúmeras maneiras de começar a resenha, mas cheguei à conclusão de iniciar com a dinâmica da história, partir para os personagens, seguir com uma pincelada dos jogos e finalizar filosofando sobre o final. Então, sim, inevitavelmente, vou precisar contar alguns spoilers, mas é para o bem de quem não entendeu. - E calma, meu pequeno gafanhoto, eu aviso quando eles estiverem chegando!

O que esperar de ROUND 6?


Inicialmente, somos apresentados a um dos principais convidados do Jogo, o Seong Gi-Hun (Lee Jung-Jae), um pai de família viciado em jogos de aposta que está totalmente submerso em dívidas. Ele é divorciado e sua ex-esposa está casada com outro homem com quem tem um segundo filho e, com ele, pretende se mudar para Los Angeles, muito em breve. Sua filha que o ama, aparentemente, tem mais juízo que ele e mesmo sendo bem pequena, ela demonstra preocupação e conhecimento da situação do pai.


Por conta de sua dívida, ele mora com a mãe, de quem frequentemente rouba o dinheiro de sua conta bancária para manter o seu vício. Resumidamente, sua vida está cada vez mais sucumbida ao fracasso e ele não tem nenhuma perspectiva de melhora.

Num belo dia, num banco de metrô, ele é desafiado por um homem misterioso (interpretado pelo Gong Yoo, de Goblin) em um jogo infantil coreano, chamado Ddakji. Um dos mais populares jogos na Coreia do Sul, o Ddakji é feito de dobradura e consiste em colocar a dobradura do oponente no chão e arremessar a própria sobre ela. Caso o Ddakji (peça feita com dobradura) do oponente for virado, quem arremessou vence. A proposta é tentadora demais para um cara tão viciado e competitivo, ainda mais levando em consideração que cada vez que ganhasse, levaria 100 mil wons.


Não é de se surpreender que Gi-Hun aceite o desafio. Já neste momento, podemos ver que o vício pela competição e a ganância estão intimamente ligados. Mas, também temos o primeiro, por assim dizer, spoiler do que viria: um jogo infantil como atrativo e dinheiro por cada vitória. Por este motivo, e convencido de que ganharia mais dinheiro, ele recebe um cartão contendo um círculo, um triângulo e um quadrado, e no verso um telefone que daria a ele um local e hora para se apresentar àqueles que o levariam onde aconteceria a competição.


Ao chegar no local marcado, ele entra em uma van, com outros jogadores que adormecem com um gás paralisante, de modo a não poderem ver para onde estão sendo levados. Quando acordam, encontram-se com um uniforme verde enumerado de 001 a 456, em um enorme dormitório com diversas beliches desmontáveis, alinhadas em fileiras. O ambiente não é nada acolhedor e a situação menos ainda, mas o momento é marcado por suspense e curiosidade. No instante seguinte, uma equipe vestindo uniformes vermelho e máscaras pretas com símbolos geométricos brancos no rosto, entram no dormitório e apresentam as regras da competição.

As três formas simbolizam a hierarquia dos organizadores: os quadrados são líderes, os triângulos os soldados e os círculos são os operários. Cada um tem a sua função na dinâmica no jogo e cada jogador a sua história. Antes de adentrar na história dos demais personagens e tecer alguns comentários, vamos às regras estipuladas!

As cores também não foram escolhidas aleatoriamente. "Batatinha-Frita 1, 2, 3", que logo mais falo dela, é a versão coreana da brincadeira "Red Light, Green Light". Vermelho significa poder e verde impotência, por isso os organizadores usam vermelho e os jogadores verde. Interessante, não é mesmo?


Os competidores e as regras do jogo


"Quero dar as boas-vindas a todos vocês aqui presentes. Todos irão participar de seis jogos diferentes, ao longo de seis dias. Os que vencerem os seis jogos, irão receber um prêmio bem generoso em dinheiro. [...] Todos que estão aqui estão vivendo no limite, com dívidas que são incapazes de pagar e sem ter a quem recorrer para pagar suas dívidas. "

Todos os demais competidores seguem a mesma dinâmica de aliciamento. Sem exceção, os jogadores têm um histórico de dívidas impensáveis e encontram-se desesperados. Cada um com sua história, homens e mulheres, de todas as idades, de todas as mazelas da sociedade e de lugares distintos, estão reunidos com um só objetivo: uma competição que resultará em uma boa ajuda financeira. Tudo parece simples e até um tanto fácil! Eis que, então, os jogadores assinam um Termo de Consentimento que diz:

Cláusula 1: O jogador não pode parar de jogar.
Cláusula 2: Quem se recusar a jogar será eliminado.
Cláusula 3: A maioria decide se quer encerrar os jogos.


No entanto, por mais que a cláusula 3 possa ser usada, acima deste grande dormitório, há um gigante "cofre" de vidro no formato de um porquinho, onde para cada jogador eliminado, 100 mil wons são acrescentados em dinheiro vivo, instigando a ganância de todos os competidores. Claramente brincando com seus psicológicos, necessidades e ambições.

E, aqui, surge o primeiro questionamento: Você assinaria um termo de consentimento que não especificasse o tipo de jogo que estaria se sujeitando ou o valor do prêmio? Ou dependeria do seu nível do seu desespero? Por exemplo, o que você faria se estivesse tão desesperado, se a sua situação fosse a de bancar algum tratamento de saúde urgente, ou de dar uma vida melhor à sua família, ou ainda de pagar uma enorme dívida e ficar livre de agiotas? O que estaria disposto(a) a fazer nestas situações? Qual seria "o preço" que estaria disposto a pagar? Para estes jogadores, é tudo ou nada.

"Isso aqui é só um jogo. [...] Elas simplesmente foram eliminadas porque quebraram as regras do jogo. Se vocês seguirem as regras à risca, vão poder ir embora com segurança com o prêmio em dinheiro que prometemos".

Gi-Hun
, o primeiro jogador que nos foi apresentado é o último competidor convidado e será identificado com o número 456. - E, aqui, a arte representando a vida: Somos apenas números nessa imensidão que é viver! - Propositalmente, e essa foi uma das melhores sacadas e pouca gente se ligou, o prêmio final será apresentado como sendo 45,6 bilhões de wons. Longe de ser um spoiler, mas a nível de curiosidade, o número 456 pode ser visto como um sinal de "etapas", inferindo que você está tomando as medidas apropriadas em sua vida para avançar de maneira positiva. Dentro da ideia de um jogo, faz sentido que o último jogador seja o de 456, não acha? - E isso, meus amigos, é o que eu AMO na arte da Coreia do Sul. Sempre uma pitada de cultura. 

Sang Woo (Park Hae Soo)
é o jogador 
218. Amigo de infância do Gi-Hun, ele é conhecido como o “Gênio” do bairro, com uma inteligência acima da média, se formou investidor e é o orgulho de sua mãe, a quem mente dizendo que mora nos EUA. Acontece que ele fracassou em alguns investimentos e acabou desviando dinheiro da empresa, devendo milhões de wons e sendo procurado pela justiça. O número 218, por sua vez, ressoa com poder pessoal e autoridade, sabedoria interna, autoconfiança, liderança, carma e manifestação de riqueza e abundância. O que também, francamente, tem tudo a ver com ele. 

Sae Byeok (Ho Yeon Jung)
 é a jogadora 
067Ela é uma norte-coreana fugida da ditadura comunista,  um tanto antissocial e introspectiva, dada à sua história de luta. Ela tem tentado ganhar dinheiro para tirar o irmão do orfanato e trazer sua mãe que foi deportada para a China, mas acreditou em um advogado que só a fez perder dinheiro e não encontra outra saída que não jogar este jogo macabro. Para mim, uma das histórias mais comoventes. Eu, realmente, me apeguei a esta personagem! A essência do número 67 é o foco nas questões familiares e domésticas e fornece uma segurança duradoura para o futuro. - Sim, eu sei... é foda!

Deok Su (Heo Sung Tae
) é o jogador 101. Ele é, sem dúvidas, o pior jogador, o que joga baixo e o da índole mais nojenta e asquerosa da competição. O ex-agiota que traiu seu chefe e foi para as Filipinas, perdeu uma grande quantia roubada em um cassino e está com os dias contados. Ele segue a sua intuição e tem a maldade estampada em sua cara. Não por coincidência, o número 101 além de poder ser usado como adjetivo em inglês de “básico”, “elementar”, “fundamental”, como bom vilão em um kdrama, 
remete à intuição e pensamentos, foco e intenções em uma missão e propósito de vida, onde elevadas vibrações atraem abundância. O que, em miúdos, pode significar "força" e "determinação".

Han Mi-Nyeo (Kim Joo-Ryung)
 é a jogadora número 212. Condenada por fraude 5 vezes, ela é a típica mulher que tem um dedo podre para escolher seus amores, aliados e rumos na vida, ou seja, é péssima para tomar decisões. E, por este motivo, tem uma vida repleta de fracassos e trapaças. Chega a se "vender" por migalhas e, por vezes, se humilhando para conseguir o que quer. É uma coitada, na verdade. Tem uma aura de mulher forte, mas é totalmente dependente. Ela é mãe solteira, cheia de dívidas, e sequer registrou o bebê, porque não escolheu um nome. O número 212 está ligado a adaptabilidades e à ambição, liderança e ação. E, de fato, ela se adapta a qualquer situação. Até as mais absurdas e impensáveis!

Ill Nam (Oh Young Soo)
é o jogador 001. É o competidor mais velho. Ele tem um tumor na cabeça e sabe que é terminal. Para completar, apresenta um leve grau de demência em alguns momentos, fazendo com que tenhamos angústia e dó. Logo, não tem nada a perder! Ele é um jogador intrigante e fofo ao mesmo tempo. - E até agora eu me recuso a crer que chorei o tanto que chorei, por ele.  - O número 1 refere-se a quem cria suas realidades com seus pensamentos, crenças e ações e incentiva os outros a saírem da sua zona de conforto. Este jogador surpreende em vários sentidos!

Não menos importante, temos o Front-Man. Que é quem lidera a porra toda, mas é subordinado de uma figura anônima que só vamos conhecer no final da trama. 
Claro que há outros jogadores com histórias tão bem elaboradas e números condizentes às suas situações, mas quero me focar, agora, nos jogos escolhidos nas competições, para que tenham uma imersão melhor e mais detalhada na história desta resenha. Paralelamente, ainda, há a trama do policial Hwang Jun-Ho (Wi Ha-Joon) que consegue se infiltrar na arena e nos jogos, como um dos operários, para descobrir o paradeiro de seu Hyung desaparecido. Embora este seja um bom arco, pouco tem ligação com o principal, pelo menos nesta temporada. Por este motivo é que a probabilidade de uma segunda temporada aumenta.


As brincadeiras infantis como competições sanguinárias


Como disse acima, todos os jogos são baseados em brincadeiras tradicionais coreanas e simples de explicar. De acordo com o diretor Hwang Dong Hyuk, a ideia surgiu quando ele estava com dificuldades financeiras e durante esse tempo, ele frequentava lojas de quadrinhos, onde se deparou com histórias de “pessoas economicamente desesperadas” participando de um jogo de sobrevivência. Foi então que começou a pensar: "O que aconteceria se tais jogos acontecessem na Coreia do Sul" e se ele "fosse o único a decidir quais jogos essas pessoas iriam jogar"?

“O jogo era físico e violento quando eu jogava na época em que era criança. Eu estava pensando: ‘E se, como adulto, eu jogar esse jogo de novo?’ Achei que isso poderia ter um significado muito simbólico. Os jogos poderiam ser algo que eu costumava brincar quando era inocente, mas que poderia levar às consequências mais intimidantes de vida ou morte. A mistura dos dois poderia criar uma ironia muito marcante. [...] Os jogos tinham que ser simples mas, ao mesmo tempo, criariam uma sensação de medo quando colocados em uma situação de vida ou morte. Não gasta muito tempo ou energia para entender as regras. É muito simples. Em vez do jogo em si, o Squid Game se concentra em como eles agem e como respondem. Normalmente, olhamos para os vencedores em jogos de sobrevivência, mas [neste drama], olhamos para os perdedores. Sem perdedores, não há vencedores.”

Extremamente endividados, sem perspectivas de futuro e repletos de ambição e esperança, ou necessidade, egoísmo e ganância, estes jogadores decidem encarar a competição eliminatória em busca do prêmio em dinheiro. O que não esperavam é que os jogos seriam macabros e que sua eliminação não seria simbólica, mas contra sua própria vida. E eis que os jogos começam! Ao todo, são seis etapas e o primeiro jogo é realizado logo após assinarem o Termo de Consentimento. Todas as etapas podem ser vistas como rounds, são eles:

ROUND 1: Batatinha Frita 1, 2, 3
ROUND 2: Colmeia
ROUND 3: Cabo de Guerra
ROUND 4: Bolinha de Gude
ROUND 5: Ponte de Vidro
ROUND 6: Garrafão (ou Jogo de Lula)

Para não estragar totalmente a experiência de vocês sobre como se dá cada uma das brincadeiras, porque seria sacanagem, vou me ater apenas no nome delas. Alguns personagens vão decepcionar em algumas escolhas e decisões e outros vão surpreender. A vontade de pegar uns pelo colarinho é bem grande e outros dá vontade de colocar no colo e dizer "chora, meu bem, tá precisando". Posso garantir que Round 6 dá um misto de aflição, empatia, revolta e reflexão! Posso adiantar, ainda, que além da eletrizante competição, a história promete uma investigação policial, um suspense intrigante e um sentimento de vingança para uma possível segunda temporada.

Entretanto, o criador, roteirista e diretor, Hwang Dong-hyuk, disse para o site Variety que, os fãs devem baixar suas expectativas.

“Não tenho planos bem desenvolvidos para Squid Game 2. É muito cansativo, só de pensar nisso. Mas se o fizesse, certamente não o faria sozinho. Eu consideraria usar uma sala de roteiristas e gostaria de vários diretores experientes [...] Não sou muito bom no trabalho em equipe”, revelou, dizendo que gosta de trabalhar sozinho e que seu método mais introspectivo o ajudou muito nos últimos anos.



Vale dizer que Round 6 (Squid Game) é mais do que uma mera mistura de Jogos Mortais com Jogos Vorazes. Ao meu ver, tem uma profundidade única, como todos os doramas, além de sair da previsibilidade de quem será o próximo, afinal, se a história tem coragem de pôr a prova a integridade do suposto protagonista, ela teria coragem de "matar" (a reputação e a vida) de qualquer jogador, a qualquer momento.

A grande sacada é que os competidores são pessoas que sempre menosprezaram a própria vida e a importância das outras pessoas nela, sempre deixando o dinheiro falar mais alto. Em contrapartida, há ainda uma certa correlação filosófica entre os participantes e a sociedade, sob diversas perspectivas. Mas, para falar delas, é preciso colocá-las em SPOILER, portanto:

- ALERTA!!! Só clique no botão abaixo se, realmente, quiser ler spoilers. -


AS QUATRO PRINCIPAIS PERSPECTIVAS
Conversando com o meu namorado, a gente levantou algumas hipóteses analógicas ao longo dos 9 episódios de Round 6
A primeira trata-se de uma representação da sociedade, expondo as mazelas destoantes entre os trabalhadores que levam a vida com batalha, afinco e de maneira ilibada versus as pessoas de vida fácil, com caráter libidinoso que buscam o dinheiro através de um meio mais rápido, seja com agiotas, seja no meio do crime, em jogos de apostas ou usando a sua inteligência para o mal. O que é interessante do ponto de vista artístico, porque não é a primeira produção coreana que reacende a reflexão social, a lembrar de Parasite, ganhador do Óscar de 2020. 
A segunda, refere-se à dicotomia de interesses e necessidades entre os jogadores, mas que dentro da arena são vistos como iguais. Os conceitos de igualdade estão presentes em algumas passagens em que o líder versa sobre isso. Uma delas, endossa a tese abaixo: "Nós não vamos permitir nenhuma atitude que impeça o processo democrático de decisão sobre a competição."
A terceira, é a existência do próprio cofre de vidro, cujas células de dinheiro ficam expostas a todo momento no teto do dormitório e cujas regras do jogo fazem parecer que existe uma certa democracia. Afinal, os jogadores não são obrigados a jogar se a maioria quiser desistir (o que ocorre em um sistema de votação) e, ninguém é obrigado a aceitar participar do primeiro jogo. A escolha sempre parte do próprio jogador. É verdade, no entanto, que esta democracia é revestida por uma dinâmica genocida e que os jogadores são ludibriados com as promessas de riqueza. Pelo fato de citarem a Coreia do Norte e sua opositora, Coreia do Sul, podemos ver que é uma crítica ao próprio comunismo e também à crítica que fazem ao capitalismo, como sistema opressor. Essa ideia fica ainda mais nítida quando os jogadores descobrem que se desistirem do jogo, o dinheiro será dividido com as famílias dos competidores eliminados, o que, é claro, causa revolta entre os participantes, afinal, eles quem batalharam para continuarem vivos. Aqui, então, encontramos as duas críticas políticas mais existentes no mundo: A arena como sendo um sistema genocida e igualitário, com regras democráticas e, ao mesmo tempo, ditadoras, uma vez que os competidores não podem desistir de jogar (sair) quando quiserem, correndo o risco de serem eliminados (mortos). Já os jogadores são postos à prova como sendo o povo que luta por uma melhora de vida, mas que se recusa a dividir seus bens com os demais que nada fazem, por questões meritocráticas e "justas". É a crítica ao sistema capitalista sendo testado na prática por aqueles que o criticam. Impossível não comparar a dinâmica com o que ocorre aos fugitivos de um sistema comunista, como o que ocorre na própria Coreia do Norte. É a realidade sul-coreana retratada na arte. Em outras palavras, analogia perfeita!
A quarta é, de todas, a mais clara: Todos os jogadores, na presença dos VIPs são nitidamente comparados aos cavalos dos jogos de apostas. São meras peças num jogo de tabuleiro, onde os VIPs (retratados por milionários) não os vêem além de uma carta de apostas alta, cuja única finalidade é a "diversão". Daí, podemos concluir que apostar em seres humanos reais é apenas o próximo passo lógico quando se trata de quem já tem tudo, tentando encontrar uma maneira de passar o tempo ocioso. O que é nitidamente uma crítica aos metacapitalistas que financiam sistemas genocidas, mundo afora.

EXPLICANDO O FINAL
Esta quarta perspectiva é, no entanto, o spoiler mais exato do final de Round 6 (Squid Game). Afinal, o seu idealizador explica exatamente isso, a(o) vencedor(a) da competição. Além disso, o mais intrigante é que um dos jogadores estrategicamente opta por deixar que a competição se encerre, antes do esperado, por ter necessidade de sentir a adrenalina na pele. Com o tempo, vão entender que não foi por medo, compaixão ou coisa do tipo, mas para testar ainda mais o limite dos jogadores que tiveram o gostinho do dinheiro fácil. O que pode ser entendido como "o poder corrompe o ser humano cujo caráter é questionável". Outra perfeita análise da sociedade!

Há, ainda, outras críticas sociais que versam sobre práticas ilegais de enriquecimento, como a venda de órgãos no mercado clandestino de uma parte dos organizadores que estão em um esquema de corrupção. Um dos líderes do concurso até comenta que o valor da igualdade se aplica inclusive a eles

"Eu não dou a mínima se vocês vendem ou se comem os órgãos dos cadáveres. Por mim, tanto faz. Mas você estragou o elemento mais importante deste local: A igualdade. Todos são iguais enquanto estiverem no jogo. [...] Você feriu este princípio."

O que reforça a tese #3, de que se trata de uma crítica política e também ideológica, somada à conclusão do poder ser corruptível e, portanto, utópico. Também mostra a existência de membros cada vez mais novos na organização dos jogos, podendo ser equiparadas à idade dos 'novos' militantes. A divisão igualitária e racionalizada da comida (que é ridiculamente pouca), do valor monetário da vida humana, da eliminação dos mais fracos na "cadeia darwinista" humana, da necessidade de desarmar todos os jogadores para que eles continuem submissos e não reajam contra o sistema, o toque de recolher, aqui chamado como "toque de alvorada", - (presente, inclusive no kdrama Pousando no Amor, que retrata como é a Coreia do Norte, também) - e a exposição dos cadáveres dos traidores do sistema, como modo de legitimar a "igualdade" da "ideologia pura" e impedir que novos "rebeldes" surgissem, dentre outras críticas tão presentes nos debates políticos. Eu até poderia recorrer ao argumento deste sistema ter sido, finalmente, aplicado na íntegra, mas precisaria focar a observância apenas durante os jogos, e nada mais. Logo, cairia por terra e apenas retrataria uma parte do que é aplicado, tal como é na vida real. 

E se acha que estou viajando na maionese, ou ainda duvida deste ponto de vista, que tal uma citação do próprio drama?

"Aqui dentro, nós criamos um mundo justo para os jogadores. Essas pessoas sofriam com desigualdade e discriminação lá no mundo real. E nós oferecemos uma última chance de lutarem de forma justa e vencerem. [...] Estes que vocês estão vendo são as pessoas que quebraram os princípios deste mundo, em benefício próprio e que mancharam a ideologia pura que foi criada para este jogo. Todos os jogadores são considerados iguais neste lugar e devem receber as mesmas oportunidades. Não deve haver qualquer tipo de discriminação, aqui. Nós também prometemos que nenhum incidente deste tipo voltará a se repetir."

Acho que isso encerra as teorias e explica o final, está tudo aí, onde percebendo que os jogos continuam, o vencedor promete vingança ao Front-Man. Por esta razão, não há outra opção que não acreditar numa segunda temporada. Vale lembrar que a descoberta por parte do policial de que o nome do seu irmão consta na lista dos vencedores é de extrema importância e, aqui, cabe eu chutar que o rim que ele recebeu, talvez tenha sido da prática ilegal realizada lá dentro. O que seria um "BUM" e tanto na trama.

Outra observação a ser feita é que o idealizador do concurso, demonstra que está totalmente desacreditado da humanidade das pessoas e entende que tudo se resume à dinheiro ou à sede de poder. O que ele não percebe, porém, é que ainda existem pessoas que, mesmo diante das adversidades e desafios, permanecem com o seu senso de justiça e moralidade inabaláveis. O vencedor é uma pessoa cheia de falhas, mas ainda acredita na essência humana e empática dos demais. O fato dele não ter gastado o dinheiro que ganhou, por nojo do que viveu, é um dos fortes indícios desta nova tese. A escolha da cor do cabelo que causa estranheza, a princípio, nada mais é do que a decisão de sair da condição de impotência e transitar para uma posição de poder.

Além disso, mais uma vez, ele faz uma escolha de defender as pessoas em maior vulnerabilidade, deixando de lado, inclusive, sua filha. O que, embora seja questionável, pode ser o retrato da pessoa que se abdica das questões familiares, e portanto, às vezes, pessoais e egoístas, em prol dos outros, como os seus.



Por fim, qualquer que seja o episódio de Round 6 (Squid Game), ele vai te trazer reflexões profundas a respeito da dinâmica política do mundo todo, não tem como fugir. E, qualquer perspectiva que adote, vai te levar à mesma conclusão que eu. De que a crítica é sobre todas as peças do grande tabuleiro de xadrez que é a vida.

E, se ainda cabe um pouco mais de curiosidade, aqui vai a última. Sabe o guarda-chuva da brincadeira "Colmeia"? Então, ele simboliza "reunião, auspiciosidade, multi-filhos, que afasta os males e ora por boa sorte. O que permite desenvolver um significado simbólico de séculos de amor ao povo". E se isso não conclui, com exatidão, todas as perspectivas trazidas nesta resenha e desenha o final em sua forma mais crítica possível, então você não entendeu o kdrama direito. (Risos) Sugiro assistir de novo. ;p 

Estou brincando... É claro que é livre para discordar! Só estou falando que para entender esta série complexa, é preciso refletir sobre todos os detalhes culturais que a Coreia do Sul transmite em seus dramas, perceber suas simbologias e buscar cada vez mais informações.


Para assistir, tirar as suas conclusões e vir debater comigo no portal EU AMO DORAMAS, é só clicar no link abaixo. Aproveite e conte para mim o que achou da resenha! Ficarei ansiosa pelo seu retorno.

Ah, e sinceramente, esta é uma daquelas resenhas que mais me instiga e desafia. Amo quando isso acontece... ainda mais quando estou rompendo um hiatus criativo de meses com ela! E se quiser participar do grupo do Telegram do Portal E♥D: clique aqui.


~• ONDE ASSISTIR •~
• Netflix •

~Rackys

Do Atari ao PS4, superando o vício em Guitar Hero II e migrando para "drogas" mais fortes: os Doramas. Eles me transformaram numa maratonista devoradora e resenhista de dramas asiáticos, inicialmente em sites paralelos e, agora, com site próprio. Por influência dos doramas, meu vício evoluiu para o SHINee (através de Stand By Me em Boys Over Flowers) e descobri que este, também, não tem cura. (SHINee Forever!) Mais recentemente, fui convertida ao SuperM e EXO, também. Sou Otaku de Naruto, fã de Nicholas Sparks, amante de séries teens, musicais, dança, ginástica artística e patinação no gelo. Achava que gostava da Marvel, até namorar um DCnauta. E não que eu tenha deixado de gostar dos heróis da concorrência, mas por ajudar no projeto do SnyderCutBR, acabei me familiarizando mais com a DC e com o Zack Snyder. Então, sim, agora até tenho um diretor favorito! E, por fim, embora pareça que não, eu juro que tenho vida social! Sou professora de educação infantil no "tempo livre" e namorada de alguém bem louco por me aceitar com essa rotina mais louca ainda, em "tempo integral". Ah, sim... de vez em quando eu durmo! Prazer! Sou Rackys.

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19 comentários:

  1. Show!
    Excelente resenha!
    Que bom que suas resenhas estão voltando.

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    1. Eu também fico empolgada com isso. Já estou desenhando fazer mais uma, agora de um lakorn. Espero que dê bons frutos, também. hahaha

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  2. Resenha TOP com a participação do mozão dorameiro.
    Leiam, está incrível!

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    1. Menina, eu nem falo nada, porque não foi só o mohzão que está convertido, mas o sogro, a sogra, o cunhado, a esposa dele.. hahaha Aliás, a esposa do cunha até do Taemin virou fã hahahahahaha

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  3. Mais uma resenha incrível e dessa vez do duo <3
    Uma resenha mais do rica em detalhes, chega o olho brilhou 😊
    Faço parte desse time que está na ansiedade por uma segunda temporada

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    1. Eu tentei colocar tudo o que eu havia notado, percebido, refletido sobre a história.. Fico feliz que tenha gostado, Lores... Sua opinião, como sempre, é muito importante para mim... Embora o diretor não tenha dado muita esperança, ainda espero que mude de ideia.. hahaha

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  4. Eitaaa atrás de eitaaa!!!! Mais uma resenha instigante que vai me lançar diretamente ao Netflix pra assistir esse dorama. Curiosidade aqui tá a milhãooooo.

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    1. Eu espero que assista, porque não tem como dizer que não é bom. Eu jamais daria, por exemplo, nota 8. Para mim, é um 9. Só não é 10 porque se realmente parar na primeira temporada, vai ter perguntas não respondidas e isso vai ser bem chato. Mas, para quem gosta de sangue, é um prato cheio. Com uma dose de exagero, porque tinha hora que parecia um saco sendo estourado. hahaha

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  5. Ficou caprichada hein, nem foi uma resenha é uma conversa, com quem sabe do que está falando e mais... "tô nem lixando se vão ou não me surpreender, eu já estou me divertindo". Vc foi inspiradora!

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    1. Oh, Rô... você sempre fazendo o comentário certo para mexer com meu coração mole, né? Foi difícil sair do hiatus que eu estava, mas me senti viva escrevendo e quando gosto de algo, parece que flui mais. Então, obrigada pelas palavras e espero continuar inspirando.. ^^

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  6. Menina de Deus… incrível esse texto… captar as nuances mais sutis de um filme é pra quem tem a sensibilidade, conhecimento e inteligência de raciocínio… a forma como expôs nos instiga a rever com outros olhos… obrigada por essa experiência ❤️

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    1. Oh, Isabel.. Caramba, muitíssimo obrigada, de verdade! Que comentário mais precioso para deixar um coração quentinho... sério! Me encheu de calorzinho no peito.

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  7. A resenha ficou melhor que a série em si. Um bando de ricos sem ter o que fazer e matando por diversão. Os memes tbm são melhores que a série.

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    1. Ah, eu gostei da série, Dy... mas, de fato, acho que o final ficou meio aberto. E fico feliz que tenha gostado tanto assim da resenha! =D Muito obrigada por vir prestigiar!

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  8. A primeira pergunta que fiz quando iniciei o dorama foi: Pq 456 competidores? Pq o 001 e o 456 estarem em "parceria" no decorrer do drama. Adorei!! Suas respostas para as minhas duvidas e as demais curiosidades. Esse dorama foi de uma dimensao tao grande que agora tenho parentes e amigos doidos, aguardando a temporada 2 🙊🤪. E vc!! Continue resenhando...pq eu vc sabe ADORO resenhas e ADORO a suas resenhas! Vc continua phodaa com as palavras! Aguardo vc com mais curisoidades e diversao para nós meros mortais!🙏🙏❤

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    Respostas
    1. Oi, Giiii... A ligação simbólica dos números 001 e 456 é perfeita! Tudo estrategicamente escolhido. Não tenho do que reclamar! Eu sempre tento trazer curiosidades para enriquecer a resenha, mas sinceramente não achei que fossem tantas e confesso que me surpreendi com várias! Esse dorama está alcançando patamares absurdos e é uma delícia ver a dimensão da visibilidades que está tomando. Um verdadeiro tapa na cara de todos que adoram falar mal das produções coreanas, sem conhecimento de causa, né?
      Gi, muitíssimo obrigada por gostar tanto das minhas resenhas e pelas palavras!!! Foi acolhedora, carinhosa, sensível... mexeu com o meu coraçãozinho! =D Bjo bjo.

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  9. Resenha repleta de conteúdo relevantíssimo e muito gostosa de ler!
    Bela maneira de quebrar o hiato criativo! ��

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  10. Fique mais em hiatos criativo se é pra vir desse jeito! hahahahaha Como me falaram, essa resenha é de manual guia, você assiste Round 6 com ela aberta do lado! Sinto cheiro de uma nova resenha da próxima temporada? Aqueça os dedos para colocar em prática, pq os olhos do outro site lá, já estão afiados, no pique da boneca do jogo Batatinha Frita 123 hahahahahahahaha

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  11. Tá... Demorei pra ler... Mas devo dizer que estou criando coragem pra sair do segundo episódio... Hahahahahahahaha

    Obrigado pelo incentivo

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